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05/03/2014

Coisas de Escritora - Livros não nascem em árvores...

Espero que vocês não me entendam mal, alados meus. Acontece que na postagem de hoje falarei sobre uma coisa que tem me deixado particularmente revoltada: a mania das pessoas de acharem que só porque você publicou um livro tem a obrigação de ter uma dezena deles para distribuir de graça. Não é bem assim, alados; e hoje vou explicar essa situação com detalhes.
Porém, antes de começar, preciso explicar minha situação para quem está visitando este humilde blog pela primeira vez. Acontece que no começo de Janeiro deste ano publiquei o meu primeiro livro, o Doce Sonho Alado, na editora sob demanda chamada "Clube de Autores". É uma experiência de autopublicação, uma forma de tentar fazer com que minha história seja conhecida sem depender de compromissos maiores com editoras tradicionais (aliás, é o meu grande sonho conseguir ser uma boa escritora sem depender de ninguém).
Como ainda estou no comecinho da divulgação, ainda não entrei em desespero, mas já estou precisando enfrentar as primeiras dificuldades. Hoje falarei com detalhes sobre uma delas... uma das mais irritantes, aliás.
E, obviamente, deixo aqui o link do meu livro. Se puder me ajudar, nem que seja com uma divulgação básica, já me deixaria imensamente feliz:


Antes de me julgar, por favor, leia o texto até o último parágrafo! Critique apenas com fundamento.

Livros não nascem em árvores...

Antes de tudo, preciso explicar para vocês que existem dois tipos dominantes de escritores no mercado brasileiro atual: o primeiro é constituído por aqueles que tem dinheiro suficiente para pagar uma publicação chique numa editora mercenária tradicional (principalmente aquelas que publicam tudo desde que você tenha money suficiente para fazê-las acreditar no se livro), e ainda sobram em seus bolsos trocados suficientes para enviar por aí exemplares dos livros, para garantir que (sendo boa ou ruim) sua história vai acabar sendo difundida de qualquer forma (e, por vezes, se certificar de que terá alguns elogios obrigatórios, pois os presenteados tenderão a agradar o escritor, para continuar ganhando cortesias). Claro que esse não é o meu caso, absolutamente.
O segundo é um grupo de pessoas que estão tentando vender sua história confiando apenas em sua qualidade, e não tem recursos suficientes para sair distribuindo livros. A única coisa que eles buscam é que as pessoas acreditem no seu livro; e se, por algum motivo qualquer, não puderem comprá-lo, que ao menos ajudem com uma divulgação, nem que seja das mais humildes. E esse é exatamente o meu caso.

É nesse ponto da explicação que sou obrigada a repetir com absoluta ênfase: não me entendam mal. Existem sim outros tipos de escritores, cada pessoa é diferente da outra, estou apenas salientando dois comportamentos muito comuns. E sei disso por que já andei por muitos blogs (literários ou não), já li sobre vários novos talentos da literatura (tenho até entrevistado alguns), tenho divulgado minha obra e entrado em contato com todo tipo de leitores e blogueiros; sem contar que já fiz tantas pesquisas na internet sobre o mercado literário brasileiro que daqui a pouco o Google vai ficar de saco cheio de minha petulante presença.

Mas, voltando ao assunto principal do post, parece que os escritores do primeiro grupo supracitado já estão se tornando tão numerosos que os internautas estão começando a achar que todo e qualquer escritor tem o dever de dar seu livro de graça para qualquer um que tiver interesse na sua história. Para essas pessoas em particular, preciso contar algumas novidades:
  1. Papéis podem ser feitos a partir da madeira, entretanto, livros não nascem em árvores. Certamente eles não vêm em pencas, e os escritores não tem um "pé-de-literatura" plantado no jardim de casa para apanhar livros dos galhos sempre que quiserem (pra piorar, nem jardim eu tenho);
  2. Assim como você, quem publica um livro também tem suas dificuldades financeiras. Só que há um agravante: você precisa comprar apenas um livro para ajudar o autor em questão; o escritor, por sua vez, precisaria comprar uns cem deles para dar o livro a todos que o pedem. Advinhe só quem tem mais dificuldades financeiras?
  3. Um livro não é escrito de um dia para o outro. É muito difícil construir uma boa história, é um trabalho minucioso que leva meses e meses. Distribuir de graça uma coisa feita com tanto esmero pode ser considerado quase que como uma forma de escravidão (veja bem: eu disse quase! Há casos especiais, claro);
  4. Antes de dar uma de "pidão", que tal conhecer ao menos um pouquinho sobre como o escritor está vendendo o seu livro? Tente se colocar ao menos um pouquinho no lugar dele antes de ver se realmente pode conseguir a obra de presente;
  5. Geralmente uma pessoa que quer dar um livro de presente o oferece de forma espontânea. Talvez seja melhor apenas continuar em contato com o autor e esperar que ele mesmo ofereça a oportunidade. Pode crer, não ficar de "mendicância" já ajuda muito.
É claro que todos esses preconceitos tem origem no pouco valor que a cultura brasileira tem dado para a literatura. Como o brasileiro comum lê pouco, os escritores tiveram que adotar meios desesperados para convencer as pessoas a lerem um pouco mais, e isso inclui distribuir livros de forma "0800". Seria uma estratégia bem legal, se não fosse por um incômodo porém: o povo brasileiro se "mal acostuma" com demasiada facilidade.
No resumo, é isso: grande parte dos leitores atuais são uns grandes mal acostumados. Acham que só vale a pena gastar algum dinheiro com os livros que são "modinha", os outros não valem o esforço.

Eu espero, desejo de todo coração que algum dia eu possa dar de presente alguns exemplares do meu "bebê". Mas, por enquanto, não posso, de jeito nenhum. Só para vocês terem uma ideia da minha situação, eu só tenho publicado aqui no blog as opiniões de livros físicos porque minha irmã os compra (os da Amazon eu baixo quando estão gratuitos, não tenho cartão para comprá-los); não escolho nenhum deles, a única coisa que decido é a ordem em que os leio. Isso não é por que estou mal acostumada, nem porque só gosto de modinha: é porque não tenho dinheiro mesmo. Moro numa favela, se tivesse algum dinheiro extra estaria o economizando para não morar mais aqui. Só espero que vocês entendam que não é algo deliberado, é apenas minha realidade.

Pronto, falei (ou melhor, escrevi)! Quem puder, por favor, dê uma chance ao livro DSA. Quem não puder, pelo menos ajude na divulgação, não custa nada!
Beijinhos Alados,
3 Comentários
Comentários

3 comentários:

  1. Concordo plenamente, amiga. Até divulguei essa postagem no meu Facebook.
    Beijos!!!

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  2. Muito bom, Sheila! Concordo contigo! É muito fácil dizer que apoia a literatura brasileira quando se ganha os livros dos autores, apoiar mesmo seria comprar os livros nacionais e divulgá-los pelo prazer de ler boas histórias nascidas no solo brasileiro.

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  3. Olá xará!
    Todos nós, autores, independente de sermos de editora sob demanda, ou independentes ou vinculados a uma editora de fato merecemos ganhar por nosso trabalho, então o pedido de livro em troca de divulgação não faz sentido para nenhum tipo de escritor. Bato nessa tecla quase que diariamente pelo Facebook. O que menos importa neste quesito é a forma que publicamos o nosso livro. Ajudar a literatura nacional é começar a comprar livros do seu país. Os escritores de editora não estão com a guerra vencida não, precisam também de divulgação e vender seus livros, então o "parem de pedir de livro de graça" serve para qualquer tipo de autor. Precisamos dar um basta nisso. O que mais me irrita na cara de pau do falso interesse pelo meu livro é que até eu dizer que não posso doar o meu trabalho, a pessoa se interessa com fervor, depois vira fumaça. Tô de saco cheio desse tipo de pseudo-leitor. Desse aí nós não precisamos. Publiquei meu livro em 2010 e graças a Deus de lá para cá tive sorte com os meus 50 parceiros de blogs literários, mas desde o ano passado vejo muita coisa acontecendo, tanto para pior, quanto para melhor. Hoje em dia muitos blogueiros literários já começaram a comprar nossos livros, assim valorizando o nosso trabalho e nos apoiando. Graças a Deus que nem todo mundo pensa igual, né?! Vamos que vamos que a batalha é árdua, mas não podemos desistir.
    Beijo, beijo!
    She

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