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03/01/2014

Livro - Morte Súbita

Nada melhor do que começar o ano terminando uma boa leitura! Vocês concordam comigo, alados meus?
O livro que acabei de ler é, ao mesmo tempo, amado e detestado pelos bookaholics do mundo todo. Amado, pois foi escrito por ninguém mais, ninguém menos do que a Rainha J.K. Rowling, a tão conhecida escritora da saga Harry Potter. É detestado também, pois foge bastante do estilo da nossa amada saga potteriana. É um livro adulto no qual, basicamente, todo personagem tem seu lado ruim posto em evidência. Digamos que a sensação que nos dá é a de que ninguém presta, a não ser o falecido Barry Fairbrother... mas vou explicar isso com detalhes daqui a pouco.
Só quero deixar claro, antes que alguém comente isso, que não estou puxando o saco da J.K. só porque sou Potterhead. Creio que quem tem a sensibilidade de saber reconhecer uma boa obra literária também concordará comigo que a riqueza de detalhes deste enredo é genial, e supera qualquer antipatia pela história em si; então não me julguem por ter "gostado sem gostar"... Kkkkkkk...

Morte Súbita - J.K. Rowling:

Preciso dizer que eu amo essa capa. É extremamente simples, mas chama mais atenção do que muita capa cheia de detalhes que já vi por aí. Ela é marcante: você bate o olho e já associa à autora. Eu amei. Não tenho nada a reclamar quanto aos aspectos físicos da obra.
Quanto à história no geral, não é exatamente o que eu busco como leitora. Quando leio um livro, gosto de sair completamente da realidade, e não a encarar nua e crua; sendo praticamente esmagada de encontro ao seu nariz, como acontece em "Morte Súbita". Só que a complexidade do enredo conseguiu me levar apenas fisgando minha curiosidade. Em resumo: eu queria saber o final do arranca-rabo, independente se ia gostar ou não dele.
É um livro que te desafia a ir até o final, não dá para ser abandonado no meio ou você ficará morrendo de curiosidade para o resto da vida. Mas chega de prólogos, vamos à minha opinião em si:

Trecho do livro:

"Mary desligou a luz interna e fechou a porta do carona. Barry apertou o botão da chave para acionar o alarme. Ouviu os saltos do sapato da mulher batendo no chão, o apito do sistema de segurança do carro, e se perguntou se o enjoo que sentia ia melhorar depois que comesse alguma coisa.
    De repente, uma dor como jamais havia sentido antes atravessou o seu cérebro como se tivesse sido atingido por uma daquelas bolas de demolição. Mal sentiu os joelhos quando eles bateram no chão frio; o seu crânio estava inundado de fogo e sangue; a agonia era insuportável, mas precisou suportá-la, já que o desfalecimento só veio um minuto depois.
    Mary gritou. E continuou gritando. Vários homens vieram correndo do bar. Um deles voltou às pressas lá para dentro para ver se algum dos médicos aposentados que eram sócios do clube estavam no local. Percebendo toda aquela comoção, um casal, que Barry e Mary conheciam, abandonou a refeição malcomeçada e correu para ver se podia ser de alguma ajuda. O marido pegou o celular e ligou para o serviço de emergência.
    A ambulância tinha que vir de Yarvil, a cidade vizinha, e levou vinte e cinco minutos para chegar. Quando a luz azulada se aproximou piscando, Barry estava deitado no próprio vômito, imóvel e sem qualquer reação. Mary estava agachada ao seu lado, com a meia-calça rasgada nos joelhos, segurando a sua mão, aos prantos, e sussurrando seu nome".

Opinião pessoal:

"Morte Súbita" não é um livro para qualquer um ler. É necessário que a pessoa tenha os seguintes pré-requisitos: não ser inocente como uma criança (pois o livro certamente destrói qualquer tipo de inocência), ter um pensamento crítico, saber apreciar uma história mesmo não concordando com as atitudes dos personagens e não se incomodar em ler algumas cenas bem chocantes. Por ser um livro adulto, as falas dos personagens estão pontuadas de palavrões e, na maioria das vezes, não são nem um pouco educadas.
Neste livro, nós conhecemos profundamente a história da pequena cidade de Pagford e seus conflitos com a cidade vizinha, chamada Yarvil. Uma das coisas que mais fica evidente durante a leitura é que a vida de todos os pagfordianos está, de uma forma ou de outra, conectada. E que a morte de um dos membros mais importantes levou a cidade a um verdadeiro caos.
Os personagens não são do tipo que a gente se apega e passa a amar incondicionalmente (acho que os únicos personagens por quem desenvolvi uma certa simpatia foi a Sukhvinder e o próprio Barry, mesmo estando morto), mas a complexidade deles impressiona quem lê. A descrição feita pela autora da personalidade de cada um é visceral: nós vemos que todo mundo tem o seu lado "podre", e é essa "podridão humana" que J.K. põe em destaque no livro. A crítica que ela faz à sociedade atual é profunda e sinceramente chocante (embora eu ache que, se ela quisesse, poderia ser mais chocante ainda).
Acredito que os núcleos da história que mais me chocaram foram o da Sukhvinder, que muito sofre por ser vítima constante de bullying e é altamente criticada pela própria mãe, sendo aviltada pelos irmãos, que tem uma conduta irrepreensível; e o da família Price, que sofre com os abusos do chefe da casa, o desprezível Simon. Preciso dizer que fiquei com uma raiva acentuada pelo Simon e pelo Bola. Tive vontade de socá-los, mas não posso, já que não é possível ter o dom do Mo (de "Coração de Tinta") para tirá-los da história e poder "meter a porrada" neles.
Uma coisa que gostei bastante foi que a narração transita entre o ponto de vista de todos os personagens (que eu, de certa forma, também usei no DSA, só que no meu caso eu foco mais na personagem principal), nós ficamos sabendo até mesmo dos sentimentos mais pérfidos de cada um. Também amei o inteligente uso de parêntesis para marcar os flashbacks que os personagens iam tendo durante o enredo, deixou a leitura ainda mais detalhada.
Devo salientar também que acho que o final poderia ter sido mais conclusivo. Principalmente por que o destino final de muitos dos personagens acabou sendo uma interrogação imensa. Queria ter sabido mais um pouco sobre o que aconteceu com cada um depois do evento final. Mas, no fim das contas, é difícil mesmo que eu goste do final dos livros.
Resumindo, eu terminei esta leitura sem muita afeição pelos personagens, mas com mais maturidade literária. Não é do tipo de livro que é capaz de nos deixar apaixonados, ele apenas nos acrescenta valores e nos faz pensar no tipo de sociedade pérfida que as pessoas estão cultivando atualmente. E, obviamente, depois de ler "Morte Súbita", a música "Umbrella", da Rihanna, nunca mais será a mesma... Kkkkkkkkkkkkkk...

Agora vou partir para a leitura de "O Guia do Mochileiro das Galáxias", a "trilogia de cinco livros" que, na verdade, são seis. Hehehehe... Preciso ler esse livro, é o tipo de leitura obrigatória para todo nerd que se preze.

Para saber minha opinião sobre os demais livros que já li, clique aqui.

Beijinhos Alados,
1 Comentários
Comentários

Um comentário:

  1. Eu comprei esse livro numa promoção no fim do ano, mas não vou ler agora pois vou participar de um desafio literário em 2014 e encaixei Morte Súbita no mês de abril...
    Mas sua resenha me deixou mais curiosa pra ler o livro (verdade que andei pulando uns trechos pra não ter muita informação sobre a história ao começar a ler o livro :)

    Mas se é de J.K. Rowling com certeza uma hora ou outra eu iria ler porque, mesmo não tendo a temática de Harry eu acredito que o estilo de escrita da autora deva estar em Morte Súbita.

    Agora estou esperando achar uma promoção de O Chamado do Cuco, também da autora (e de preferência em capa dura)

    Abraço e um 2014 de muita leitura, muitos textos seus e bastantes desenhos, claro.

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