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04/09/2013

Minha vida é um conto alado I - Lara

Hoje teremos finalmente a primeira postagem do quadro "Minha vida é um conto alado"! Na verdade, o "conto" de hoje é uma "crônica" (posso estar enganada, se alguém achar o contrário pode deixar um comentário, vou gostar de ler sua opinião). Desculpem-me, mas não tem como ser diferente, o texto surgiu na minha cabeça assim. Uma das coisas loucas que me acontecem quando estou escrevendo é essa: se pensei de uma forma, dificilmente escreverei de outra... não tentem entender... hehe.
A participante de hoje não quis que eu revelasse sua identidade real, então a chamaremos de "Lara", nome escolhido pela própria participante. Essa história serve principalmente para mostrar que não é preciso enviar a mim um acontecimento grandioso, fatos comuns do cotidiano também podem dar uma boa história, por que não?
Lembrando que você também pode ter sua história transformada em conto e publicada aqui, basta acessar a postagem do quadro e conferir as regras. Se você mandá-la até amanhã de manhã, talvez eu possa publicar seu conto na sexta-feira, inclusive!
Agora vamos à história. Todos os nomes dos personagens foram escolhidos aleatoriamente  por mim (menos da protagonista, que foi a própria participante que escolheu) para que a identidade de todos seja preservada. Também fui eu que escolhi o título (não é exatamente o melhor título do mundo, mas é o que tem pra hoje... hehehe). Tentei ser fiel a descrição original, ainda assim, pode haver alguns trechos que se distanciam um pouco do ponto de vista dela, já que eu não testemunhei o fato. Espero que vocês apreciem a leitura, e que possa ser um incentivo para que você participe também!

Mais um pequeno/grande dia:

Ainda era bem cedo, e aquela manhã de agosto estava tão fria que me arrependi de ter saído da cama assim que coloquei o pé na rua. É um verdadeiro sacrifício ter de abandonar a minha cama quentinha para enfrentar mais um dia de aula; na minha opinião, todos deveríamos ganhar pontos extras só pela força de vontade.
    Assim que cheguei à escola, a primeira coisa que notei foi a ausência das mochilas na bancada azul da minha sala (e, é claro, dos meus colegas de classe também). Como assim? Será que eu demorara tanto para me arrumar que acabei chegando atrasada? Ou será que fora abduzida no meio do caminho e fui devolvida à Terra só algumas horas depois? Entenda, não sou do tipo de aluna que se atrasa, aquela seria a primeira vez que eu teria que esperar a segunda aula para entrar... isso se eu realmente havia chegado tarde, talvez meus colegas é que foram abduzidos.
    Ninguém foi abduzido, claro, apenas quero mostrar que nessas horas a gente acaba pensando tudo, até as possibilidades mais absurdas.
    Felizmente, logo consegui localizar umas amigas minhas brincando de jogar aviõezinhos de papel, não muito longe de onde eu estava. Um verdadeiro alívio, poucas vezes fiquei tão feliz em vê-las!
    Elas me disseram que o resto da turma estava em frente à biblioteca, num lugar quentinho que nós costumamos usar para nos proteger do frio. Para chegar até lá, precisei passar por um corredor estreito e pequeno, e antes mesmo de me encontrar com os demais já fui notando sinais claros da presença deles: mochilas jogadas pelos cantos, réguas, lápis e papéis espalhados por toda parte, coalhando o chão; a mesinha de enfeite fora arrastada para o lugar errado, até mesmo o tapete estava todo revirado! Perguntei-me por um instante se eles estavam ali para passar o tempo ou para construir um ninho.
    Pensando bem, aquela bagunça não era nada anormal; quando se tem onze ou doze anos, como nós, a vontade de organizar as coisas fica perdida embaixo de uma montanha enorme de tranqueiras e de preguiça. E parece que tudo piora quando se está no sexto ano; quanto mais coisas tivermos que fazer, menos vontade de arrumar aparece.
    Eu mal havia chegado quando começou a briga: o Júlio disse que o Marcos tinha dado um tapa na cara dele, e o empurrou, jogando-o sobre as mochilas. O Yago (outro menino da turma) tentou defender o Marcos, dizendo que foi apenas uma brincadeira, mas não deu muito certo. Sabe também o que não deu certo? Eu ter tido a bendita ideia de tentar ajudar. Na próxima, juro que não vou tentar fazer nada, eles podem até se matar que não estou nem aí.
    Claro, estou exagerando, não pense que eu realmente os deixaria morrer. Não sou cruel a esse ponto.
    Depois de duas aulas, o recreio chegou, e foi uma decepção, para dizer a verdade. Se há duas pessoas que me irritam só por estarem no meu campo de visão, essas duas são a Marine e a Mariane. Se não bastasse ter que topar com elas e sua "panelinha", ainda tive que lidar com a frustração de ver que todos os meus amigos resolveram naquele dia conversar com elas, até mesmo minha melhor amiga, a Clara, estava lá! Tive que lanchar sozinha, tentando ignorar o que estava acontecendo. Eu é que não iria ficar com eles e ter que ficar aturando aquela “dupla dinâmica”, só iria se quisesse uma bela indisgestão.
    Aproveitei o resto do recreio para jogar basquete na quadra. Eu gosto de jogar, e até que seria uma jogadora muito boa, mas isso só seria possível se alguém fizesse o favor de me passar a bola. Aliás, realmente deveriam me passar a bola, pois o meu time estava uma desgraça. Quer dizer, a Mel e a Sara jogam bem, mas o resto... No começo a Carla estava pior do que eu, só lá no finalzinho foi melhorando. Nem lembro mais quem ganhou, só tenho a forte impressão de que não fomos nós.
    Em seguida, fomos para a aula de Geografia, era dia de trabalho em grupo; ou melhor, em trio. Como já era comum, eu e a Clara faríamos juntas, só precisávamos de um terceiro componente — "trio de dois" não é aceito pelos professores, pode crer, eu já tentei.
    O que eu queria mesmo era convidar o Júlio. Se eu tivesse coragem, convidaria na mesma hora... no fim das contas, chamamos o Yago, e ele aceitou na boa. Trabalho que é bom a gente não fez, ficamos brincando tanto que nem vimos o tempo passar. Foi divertido, pelo menos aquela segunda parte do dia estava sendo melhor que o começo, e olha que o melhor ainda nem tinha acontecido...
    Já era quase meio-dia quando o Júlio (que senta na minha frente) se espreguiçou todo e colocou a cabeça na minha mesa, depois disse: “Oi, Lara!”. Na hora eu achei aquilo o máximo, agora vejo que foi uma besteira; imagine só, ele só disse “Oi”, não é nada de mais, quem seria tão boba a ponto de pensar que aquilo não foi apenas um cumprimento qualquer?
    OK, eu confesso, é mentira: ainda acho até agora que foi extraordinário!
    São coisas comuns que fazem parte da vida de uma pré-adolescente, tenho certeza que a maioria das pessoas acha uma grande bobagem, mas para mim não é. Esse foi apenas mais um pequeno dia na minha vida, porém, creio que são dias assim que estarão marcados para sempre na minha memória; coisas que fazem de mim quem eu sou e, ao mesmo tempo, coisas que aos poucos construirão quem eu serei um dia.

Texto escrito por Sheila Lima Wing, história enviada por uma leitora que deseja se manter anônima.


Quer ver a sua história aqui também? Clique neste link e participe do "Minha vida é um conto alado".


Beijinhos Alados,
2 Comentários
Comentários

2 comentários:

  1. Maravilha de conto!! Super adorei. Já há alguns dias que não passava por aqui. Vi aqui deixar o meu beijinho. Fica com deus!! http://pontodecruzdamafalda.blogspot.pt

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