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10/05/2013

Texto DSA IX - "Noite Aterrorizante"

Finalmente, consegui escrever um conto novo para vocês! Como eu já expliquei, esse quadro não surge por aqui com muita frequência pois preciso direcionar toda a minha capacidade criadora para o meu livro, então acaba não sobrando inspiração para fazer uns textos para o blog, ainda mais com toda esta loucura de reformas do DSA.
Mas, para já deixar vocês com aquela vontadezinha de ler o meu livro, preparei um "continho básico". Sei que hoje seria o dia de coluna de Língua Portuguesa; porém, a leitura também faz parte do processo de aprender a nossa língua, não é verdade?
Depois de ler, não deixe de comentar, dizendo o que achou do conto. Espero que vocês gostem, pois eu amei escrevê-lo:

Noite Aterrorizante:


A noite estava fria demais. Na esquina, uma névoa tímida já começava a se formar, flutuando preguiçosamente, como coisa que planeja ficar vagando ali para sempre. Eu estava voltando para casa. Já era bem tarde, agora vejo que não deveria ter perdido a noção do tempo enquanto me divertia... acredito que se soubesse desde o princípio o que aconteceria em instantes, certamente pensaria duas vezes, ficaria atento ao horário, praticamente colaria meus olhos no relógio, se possível. Mas não, como sempre, fui desatento. No fundo, bem lá no fundo, sei que achava ser capaz de escapar de qualquer perigo. Era a ação daquela estranha mania humana de pensar que as coisas não vão acontecer, não com a gente.
    Até então, eu estava tranquilo. Não havia nada de incomum na rua, a maioria das pessoas já se abrigava do frio em casa, aproveitando suas camas e sofás quentinhos. Estava feliz de poder voltar para o meu lar, meus dedos estavam começando a congelar, pois eu saíra sem agasalho. Logo, logo eu poderia tomar um bom banho quente e me aninhar debaixo do edredom... Ô coisa boa de se fazer!
    Chegando à soleira da porta, ouvi um barulho. Estava tudo escuro dentro de casa, parecia não haver ninguém em nenhum dos cômodos... que estranho!
    Um arrepio percorreu a minha espinha, daqueles que surgem do nada e nos deixam com a pulga atrás da orelha. Eu já estava com um cachorro sarnento inteiro arás da orelha, pra falar a verdade. De certa forma, já pressentia que algo sinistro aconteceria. Por que não comecei a me preparar desde então? Como fui estúpido ao ponto de entrar em casa, a essa hora, desapercebido?
    — Olá... — disse hesitante. — Tem alguém em casa?
    O assoalho rangeu quando entrei, pé-ante-pé, tentando entreouvir qualquer sinal de uma alma viva que não fosse a minha. Quando estava quase chegando às escadas, vi um vulto tremular atrás do vidro da porta da cozinha.
    — Não, Deus, não pode ser! — exclamei, já sabendo que seria impossível fugir daquele vulto.
    Subi as escadas adoidado. Eu não queria ver aquele vulto, não naquela noite. Meu coração pulsava a mil por hora, acho que ele também queria saltar pela minha boca e sair correndo, fugir do que estava por vir. Eu não o culpava, adoraria poder acionar meus poderes de super-velocidade. O único detalhe era que eu não tinha poder algum. Que saco!
    Atravessei o corredor em dois passos longos, nem sei onde encontrei pernas para correr tanto. Tratei logo de vestir meu pijama e entrei na cama, nem liguei a luz. Não poderia me dar ao luxo, qualquer coisa poderia atraí-la, principalmente o fato de saber que eu ainda estava acordado.
    Esperei. Naqueles instantes de tensão, acho que desenvolvi tanto minha audição que consegui ouvir o que estava passando na televisão do vizinho. Acho que ele estava abrindo algum presente, pensei ter ouvido um som de durex sendo puxado (mas pode ter sido só a minha imaginação, ou os efeitos do pânico).
    Quando parecia que estava tudo calmo, comecei a ouvir passos ecoarem no corredor. O vulto se aproximava, eu podia sentir. Comecei a repetir no meu pensamento: "Não entre no meu quarto, não entre no meu quarto, não entre no meu quarto...". Quem sabe meu "mantra" não seria suficiente para mantê-la afastada?
    Mas não funcionou. A maçaneta começou a girar, e eu puxei as cobertas sobre a minha cabeça, temeroso. Pude ver através do edredom que a luz do quarto fora ligada. Meu coração pulou tão alto que eu pensei que ele instalara uma cama elástica no meu pulmão. Soltei um grito de puro terror quando senti que as cobertas foram arrancadas de mim, e finalmente ouvi a voz dela dizer, triunfante:
    — Ahá, te peguei!
    Eu tentei fazer a cara mais despreocupada e inocente do mundo; contudo, era tarde demais. Minha mãe estava bem na minha frente, as mãos na cintura, o rosto de quem já sabe de tudo. Certamente ela sabia de tudo, ela sempre sabe.
    — Pensou que ia fugir de mim, mocinho? Onde já se viu: você saiu de casa, demorou um século para voltar, deixou-me morrendo de preocupação e nem ao menos levou seu casaco? — vociferou ela, furiosa.
    Eu apenas me encolhi e murmurei desculpas esfarrapadas. Fazer o quê, não há criptonitra que enfraqueça os poderes de uma mãe coruja.

(Sheila Lima Wing)

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Essa foi minha singela homenagem à todas as mães! Gostaram do conto? Não sei por que, mas gosto muito de fazer estes finais surpreendentes, não consigo evitar... Hehehe...

Beijinhos Alados,
1 Comentários
Comentários

Um comentário:

  1. Adoro os seus textos. Sempre com um final surpreendente. Bjus!

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