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02/01/2013

Texto DSM VI - "A Conquista"

Que forma melhor de começar o ano do que com um conto novo? Tenho certeza de que não vou ser a única a gostar do conto que eu mesma preparei para hoje!
Dessa vez eu não tive a ideia cinco minutos antes de preparar a postagem, acho que ela me veio anteontem, antes de dormir. Ou será que foi de Domingo para Segunda? Tanto faz, o fato é que eu fiquei um tempo construindo o texto no meu pensamento e acho que ficou muito bom, espero que vocês gostem:

A Conquista: 


Era uma vez um sentimento. Ele pairava sobre uma cidade cinza e barulhenta, procurando um novo lar para viver. Não era um sentimento qualquer, era grande, quente e poderoso; com uma pureza tão magnífica que, se um ser humano fosse capaz de enxergar sua verdadeira forma, certamente ficaria boquiaberto por horas. Por isso, o lugar que ele procurava não poderia ser como os outros, teria de ser a morada perfeita para seu grau de importância e grande o bastante para contê-lo em segurança.
    Essa criatura abstrata já estava demasiado cansada de perambular sem encontrar um local apropriado para seu repouso. Observava os seres humanos abaixo de si, enxergando seu interior, sem encontrar nenhum que lhe parecesse adequado.
    Depois de flutuar por horas e horas a fio, encontrou uma agência bancária, onde um pantagruélico banqueiro contava centenas de notas, milhares, milhões. O sentimento aproximou-se e analisou-o bem. Com todo aquele tamanho, certamente teria um coração espaçoso, onde ele poderia viver sem apertos. Por que não tentar?
    — Olá, coração do banqueiro! — saudou o sentimento, aproximando-se de onde estava o coração do homem, debaixo de camadas e camadas de gordura. — Por acaso terias um lugar onde eu possa habitar?
    — Hum... — ponderou o coração, desconfiado. — E o que eu ganharia em troca?
    — Como assim?
    — Veja só o meu dono: esses papeizinhos que ele conta o dia inteiro podem trazer as coisas mais valiosas que existem. E tu, o que trarás?
    — Ora, posso trazer a alegria, a satisfação e tantos outros sentimentos amigos meus!
    — Bah, todos inúteis! — desdenhou o coração, endurecendo-se cada vez mais para reforçar que o sentimento não era bem-vindo. — Quando tu tiveres ouro, joias ou mais dinheiro, podes voltar e o receberei de bom grado. Até lá, passar bem!
    Desapontado, o sentimento voltou a pairar no céu, afastando-se dali o mais rápido que pôde. Uma casa como aquela poderia até ser espaçosa, mas certamente era gélida e atravancada de coisas materiais.
    Mais adiante, o sentimento avistou uma menina. Era jovem e inocente, não tinha um coração tão grande quanto o do banqueiro, todavia era um órgão portador de um agradável odor de coisa nova. Por que não tentar?
    — Olá, meu pequeno coração infantil! — saudou o sentimento, que teve de se esforçar um bocado para alcançar a menina, que corria ágil pela rua. — Por acaso terias um lugar onde eu possa habitar?
    — Claro que sim. Por que não vais morar nela — respondeu o coraçãozinho, apontando para uma garota mais velha, idêntica à pequena que corria.
    O sentimento analisou-a, sem entender por que deveria escolhê-la ao invés da outra.
    — Me parece um bom lugar, mas queria saber se poderia morar em você!
    — Ah, não, ninguém me escolheria. Eu sou pequeno e trivial, ninguém quer saber de mim. Mas ela... Ora essa! Todos adoram-na, idolatram-na, fazem de tudo para estar com ela, para ter seu coração. E tu, por que não vais também? Vamos! Vá logo! Chô!
    Derrotado, o sentimento foi em direção à irmã mais velha da criança. Talvez lá realmente fosse um lugar mais agradável do que aquele coração ciumento.
    — Olá, belo coração juvenil! — saudou o sentimento, aproximando-se da moça. — Por acaso terias um lugar onde eu possa habitar?
    — O quê? Tu queres morar em mim? — riu-se o coração da jovem. — Com essa aparência miserável e ordinária? Nem pensar! Volte aqui quando você for mais atraente e então terás um lugar reservado só para ti no meu interior!
    Mais uma vez, o sentimento voltou para as alturas, percebendo que aquele coração seria superficial demais para conter um sentimento da sua potência.
    Lá pelas tantas, ele chegou a um grande engarrafamento. Nossa! Quanta gente havia ali naqueles veículos! Que variedade incrível de corações para escolher! Por fim, avistou um coração que pulsava forte no peito de um homem. Pelo vigor que demonstrava, aparentava ser o lar mais seguro que poderia encontrar.
    — Olá, coração másculo! — saudou o coração, tendo de passar por uma nuvem de fumaça negra para entrar pela janela do carro do homem e altear a voz para poder ser ouvido em meio à multidão de buzinas que enchia o ar. — Por acaso terias um lugar onde eu possa habitar?
    — Por quê? O que tu procuras? Saibas que não estou num bom dia!
    — Não quero nada de mais, só queria...
    — ... Só querias atazanar a minha vida, não é? Pois saibas que eu não tenho a menor paciência para lidar com sentimento nenhum! Vá embora daqui, AGORA!
    E o sentimento voltou para sua busca, deixando aquele coração gritando grosserias ao léu. Certamente era um dos piores lugares para se viver.
    O sentimento passou por muitos outros corações, mas nenhum deles o agradou. Eram sujos, e sujos com a pior espécie de imundície: luxúria, gula, preguiça, avareza... Será que não havia mais coração habitável nesse mundo? Será que teria de se acostumar a pairar até que nascesse alguém que realmente o acolhesse? Isso poderia levar séculos!
    Foi então que ele me encontrou. E meu coração simplório abriu as portas para aquele sentimento sem precisar ouvir palavra alguma, sem impor regras ou restrições. Não quis que ele pedisse sua permissão, nem precisou ouvir propostas; apenas abriu os braços e acolheu-o com brandura.
    Eu não me assustei ao percebê-lo em mim. Deixei que ele percorresse minhas veias, que me apresentasse a novas sensações, que fizesse parte de mim por completo.
    Ele me conquistou. E eu deixei que ele me conquistasse.
    — Olá, AMOR! — disse eu, quando senti que aquela coisa maravilhosa invadia o meu ser, instalando-se em mim com a satisfação de quem finalmente encontra seu destino. — Finalmente estamos juntos, heim?
    Foi assim que aconteceu. Quem tiver sensibilidade suficiente para entender, que entenda.

(Sheila Lima Wing)

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Mil Sweetkisses,
7 Comentários
Comentários

7 comentários:

  1. Ah o amor...tão lymdo,mas tão devastador.Nossa filosofei,hahaha.
    mundopeerdido.blogspot.com.br/
    amore me curte no face?Beijoos

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  2. Que lindo Sheylinha!Que nossos corações estejam sempre limpos e abertos para receber o melhor dos sentimentos! bjns

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  3. Que texto lindo. Espero que as pessoas estejam mais atentas e de coração aberto para o amor. Bjus!!!
    galerafashion.blogspot.com.br

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  4. Adorei! Segui claro ;)
    Visita o meu blog e diz o que achas*
    beijinhos!

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  5. Entendi perfeitamente... eu nem sei o que dizer, o seu texto é perfeito, descreve exatamente como alguns seres que se dizem humanos fazem... PARABÉNS pela logica, de verdade Sheila... ♥

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