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21/11/2012

Texto DSM IV - "Sem rumo"

Fiquei com vontade de fazer um conto para vocês hoje. Essa foi mais uma de minhas ideias durante o banho (ê loucura!). Ficou bem pequeno, isso é verdade. Também acabei fazendo uma ilustração bem pequena e simples, mas é mais porque o desenho que eu tinha feito ficou horrível. Então dei uma improvisada, fazendo uma montagem pelo Photoscape. Prometo que da próxima vez vou caprichar mais na ilustração, não se preocupem...
Aliás, quero agradecer muito pelo carinho de vocês ontem no meu aniversário, fico muito feliz por todos vocês fazerem parte da minha vida, ainda que virtualmente!!! Pude responder só à alguns, mas aqueles a quem não respondi, sintam-se abraçados por mim. Amo todos vocês!!!

Sem Rumo:


A rua não passava de um emaranhado de pernas vista do ponto onde ele se escondera. Abrigara-se atrás do tronco deteriorado de uma árvore, tentando decidir por qual caminho deveria seguir. Já passara dias e noites vagando sem rumo, perdido naquela selva cinzenta de metais e fumaça; e já se cansara demais daquela jornada interminável.
    As estradas entrecortavam-se, seguindo num labirinto infinito de vielas, becos, alamedas, avenidas... Aquelas placas em ambas as calçadas não faziam o mínimo sentido para ele, tudo o que poderia fazer era contemplá-las com o rosto exaurido de quem está extremamente gasto e infeliz.
    Era a primeira vez que saíra do conforto do seu lar e aquele acontecimento não poderia ser mais catastrófico. Ele não pensara nisso quando escapulira pelo portal aberto de sua casa. Não, jamais pensara que se sentiria tão mal em não reconhecer nenhum dos rostos ao seu redor, que se voltavam para todas as direções, ignorando sua presença. Eram pessoas altivas, que não se importavam com nada além de sua frívola vidinha. Ele também não tinha o menor interesse nelas, mas agradeceria se alguém pudesse ao menos indicar a direção certa para chegar ao seu porto seguro.
    Aproveitou, então, um bando que se acotovelava para atravessar a rua e seguiu pela faixa de pedestre, chegando à esquina oposta no mesmo instante que o relógio da catedral soava o meio-dia. Estava numa rua de altos prédios, grandes arranha-céus que se erguiam insensivelmente a muitos metros acima de sua pequenez. Certamente não era essa a sua rua. Lá a situação era oposta: as casas eram pequenas e acolhedoras e o ar portava uma espécie de jovialidade e alegria que também se alastrava pela atmosfera de toda a redondeza. Geralmente, crianças conseguiam brincar no meio da estrada, tendo de se abrigar apenas a cada meia hora, quando um carro ou outro passava despreocupadamente — geralmente um morador próximo seguindo para sua labuta diária.
    Mas aquele lugar fedia a abandono. Era apenas uma gélida avenida qualquer, onde não havia o mínimo indício de calor humano. Os carros passavam a toda velocidade, seus ocupantes sempre com pressa, esbaforidos para não perder tempo, nem dinheiro. Não passavam de uma miríade de infelizes animais apressados.
    O sol estava a pino e ele seguiu pela gloriosa sombra das marquises. Não sabia até que ponto ficaria andando por essas ruas sem direção certa. Talvez teria de encontrar um novo lugar para viver, mas essa atitude não o consolava. Não queria apartar-se daqueles que amava, recusava terminantemente a ideia de ter de se adaptar a uma nova vida solitária.
    Quando chegou à rua transversal, ladeada de lojas e ambulantes barulhentos, mal pôde acreditar no que avistara ao longe. Ela estava na calçada oposta, parada. Olhava para os lados, com o cenho franzido, numa expressão de angústia. Será que procurava por ele? Estaria sentindo o mesmo grau de saudades? Será que sofria com sua ausência?
    Encheu-se então de euforia quando atravessou a rua, quase sendo atropelado por uma moto que disparava pelo asfalto quente, muito além do limite de velocidade permitido. Ela ainda demorou uns segundos para perceber que ele acercara-se, e abriu um largo sorriso ao reconhecê-lo.
    — Que susto você me deu, menino! — disse a garota, parecendo mais aliviada do que brava. — Nunca mais faça isso comigo, heim!
    Ela agachou-se para acariciá-lo e ele latiu carinhosamente para sua dona. Já não havia mais perigo, nem saudades. Estavam juntos novamente e não poderia haver nada do mundo melhor do que isso.

(Sheila Lima Wing)

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Mil Sweetkisses,
6 Comentários
Comentários

6 comentários:

  1. Que texto lindo e inspirador. Ainda bem que teve um final feliz. Bjus!!!
    galerafashion.blogspot.com.br

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  2. Que texto bonito! Eu estava aqui pensando que era uma pessoa, mas é um cachorro! o/ isso me lembra quando meu cachorro fugia, será que ele sentia isso também? :/

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  3. Bem do incio eu ja desconfiava que era um cachorro (sera por que eu tenho um e penso como ele? '-') Depois de terminar tive uma ideia para um desenho, mas eu ainda não acabei o outro, quando acabar eu mando pelo Face^^

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  4. http://lindacisilva.blogspot.com.br/ seguindo me retribeui ai rss

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    1. de onde vc tiras esses textos,vc é faz poesias ,ou apenas gosta de inventar testos

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  5. Nossaaa... me surpreendeu e deixou emocionada de novo... amei demais.
    Sem palavras, foi o que mais amei ate agora...

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